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Postado em 19/12/2016 5:33

Casas de acolhimento de idosos e crianças pedem socorro

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As instituições privadas que cuidam de idosos e crianças em Salvador estão passando por dificuldades e apelando para a solidariedade da sociedade baiana. Neste período em que o espírito do Natal envolve a todos, elas pedem contribuições em forma de doações. Alimentos não perecíveis, fraldas e material de limpeza são itens necessários que as mais de 100 casas de acolhimento de Salvador precisam, porque carinho, amor e atenção não faltam nas atitudes daqueles que vivem para servir aos carentes.

O Lar Irmã Maria Luiza, instituição que há 30 anos faz caridade, localizada à Rua do Imperador, 61, nos Mares, abriga atualmente 13 homens e cinco senhoras, todos acamados, apesar da casa comportar 25 idosos. “Eles usam fraldas geriátricas e não se locomovem. Ainda tem os problemas de saúde Alzheimer, esclerose, derrame, então o quadro é este”, revela a dona de casa Stablia Ganzel, apresentando-se como a  nova presidente da instituição filantrópica, sobrinha da fundadora Irmã Cícera Soares, 80, que por motivo de saúde se afastou da administração. Os moradores do casarão alugado, geralmente deixados por parentes, fazem quatro trocas de fraldas por dia, totalizando consumo diário de 80 unidades.

Outra carência do Lar se revela também em proporção que literalmente falando tem cheiro de perigo: o fogão industrial com seis fornos apresenta vazamento na tubulação, conforme a nova administradora, já alertada sobre os riscos. “Novo custa em torno de R$ 2.800 e a casa não tem condições de comprar. Mas esta é a nossa prioridade agora, até o começo de 2017 conseguirmos pessoas que nos ajude. Sei que uma pessoa só não pode, mas todo mundo ajudando a gente consegue comprar este fogão”, aposta na corrente da solidariedade a nova administradora.

Para ajudar o Lar Irmã Maria Luiza basta lhe visitar ou doar via depósito em conta. Mais informações ligue (71) 3314-2885 ou envie   email: l arirmamarialuiza @hotmail.com.

O comerciante Dugival Alves de Jesus, 55, tem o hábito de uma vez por mês passar no Lar e deixar biscoito, frangos, e outros produtos para consumo. “A casa é maravilhosa e eu sempre venho fazer a minha parte. Todos nós deveríamos fazer por os nossos irmãos. Eu faço espontaneamente, é uma maneira de ficar mais feliz”, enfatizou. “O que seria de nós se não fossem os irmãos que ajudam”, completou Stablia

 Sua contribuição certamente fará feliz o simpático ex auxiliar de pedreiro senhor Antonio Carlos dos Santos, conhecido como “a prata da casa”, que não lembra a idade e há cerca de 20 anos convive com as dificuldades de sobrevivência do Lar. Ele foi reconhecido por uma prima durante uma visita de rotina, que lhe passou um documento que o permitiu tirar o RG e requerer a sonhada aposentadoria, que lhe permitirá contribuir para o lar, como fazem os outros habitantes.

Mesmo sem receber mais visitas de parentes, “seu” Antônio Carlos, vítima de um atropelo que o deixou com limitações nas pernas,  mantém  o bom humor. Questionado se gosta do domicílio filantrópico diz “tem que querer” e abordado um pouco mais revela que “visita nem em pensamento”, ser filho de Maria Gorda de Mata de São João, ser pai e ter tido apenas “companheiras” na vida, além de lembrar os nomes das irmãs, Maria Helena e Luciene. Indagado sobre o que mais deseja no Natal conclui “só estar vivendo já vale a pena”, vida que prefere não mostrar pra ninguém a que está levando, compartilhada num ambiente com demais companheiros, televisão e rádio.  Já Maurílio Moreira dos Santos, 75, com apenas dois meses no Lar Irmã Maria Luiza, considera estar “na casa de Deus”. Ex-representante comercial, ele recebe a visita constante de parentes próximos e tudo que quer nesta época natalina é “felicidade pra todo mundo e doações pra casa’.

Outra instituição que busca a solidariedade da comunidade soteropolitana é a Associação Beneficente Vó Flor, situada à Rua Lélis Piedade, Largo da Madragoa, na Ribeira, atualmente atendendo 62 crianças, em sua maioria acolhida por estar em situação de risco ou sem apoio familiar. Florenice Santos Gomes, 89, fundou a entidade há cerca de 40 anos e continua administrado-a, ao lado do neto Renê Macedo Santos, 36, estudante de Serviço Social.

 ”Nós não temos apoio nem parceria com nenhum órgão e sobrevivemos de doações. No final do ano é que as pessoas aparecem com mais frequência, pra tá dando apoio. O espírito natalino move o coração das pessoas, mas seria bom que isso fosse ao longo do ano todo. Nós acolhemos as crianças aqui e damos todo o carinho, amor, dedicação.  Ensinamos a serem cidadãos, este é o nosso papel principal”, relata Renê. A associação também distribui 100 cestas básicas todo dia 30 para idosas da comunidade.

“A nossa deficiência maior aqui é o telhado”, diz Macedo, se referindo ao estrago no teto da casa. Para recuperá-lo está promovendo a venda de camisa (R$25,00) da corrida que acontecerá no próximo domingo, 18, com saída do Largo da Madragoa, percorrendo toda a orla itapajipana. Quem participar contribuirá também com um quilo de alimentos. Os interessados podem discar (71) 3481.1386. No mais, fraldas, cobertores, ou qualquer outro tipo de doação “será bem vindo” confirma.

“Gosto demais de crianças. Quando eles vão passear pra mim o mudo acabou, eu fico doidazinha, por causa da zoada que não tem e não vejo os meninos”, afirma dona Florenice, que sonha em “ganhar na loteria para comprar uma sede própria. Todo o conforto que eu pudesse dá a eles eu daria”, diz referindo-se aos meninos e meninas que ocupam as salas da grande casa alugada por R$ 2.650, 00. Depois exibe um vídeo no celular de uma ação de caridade na rua, com um depoimento de uma senhora que diz ser ela a substituta de Irmã Dulce, comparação que prefere não comentar e aproveita a oportunidade para agradecer o auxílio que recebe “de igrejas evangélicas e Batistas”.

Mãe de dois filhos pequenos, Luan, 3, e Luna, 5,  Daiane Dantas, 24, desempregada, que quando criança morou na casa da Vó Flor, no início do ano retornou com os rebentos. “Aqui é bom, nos ajuda muito e eu também ajudo na limpeza e outros afazeres”, diz com ar de orgulho por poder dar a sua contribuição à instituição. Para Tiago da Conceição Silva, 10, o lar da Vó Flor tem “as coisas que eu gosto”, motivo suficiente para preferir ficar onde está a ir para a casa da mãe que mora em Cajazeiras. “Quando eu vou prá lá, eu fico com saudade daqui”, revela.

Histórias de Solidariedade

O Lar Maria de Lurdes, na Rua Barros Falcão, em Brotas, tem um ano e cinco meses de funcionamento e também aceita doações. Kelli Tatiane de Jesus dos Santos, 27, que faz faculdade de enfermagem, é a responsável legal pela instituição. Ela trabalhou como voluntária durante quase dois anos em outra casa de apoio e acabou por abrir a sua própria residência dedicada aos idosos. “Ganhei uma experiência muito boa na área de geriatria”, diz. “O nosso bom atendimento passou de boca em boca e hoje temos 15 idosos em quartos individuais”.

A ex- dona de casa  Joalice de Souza Fernandes, viúva e natural de Esplanada, fez 104 anos na semana passada exibindo vitalidade. “Tenho quase um ano aqui e gosto. Minha religião é Deus que não sai de junto de mim. Tomo meu banho, não incomodo ninguém nem como tudo que me oferecem. Que o Natal traga felicidades pra nós todos, principalmente pra mim que ainda quero viver”. Para colaborar com os moradores do Lar Maria de Lurdes ligue (71) 3022.6972.

Com a população envelhecendo cada vez mais, não faltam idosos necessitando de lares como a instituição Lar Irmão José, situado na Rua dos Bandeirantes, 39, no Matatú de Brotas.

O ex-bancário Nestor Matias, 58, com 37 dedicados a cuidar dos mais velhos, é o responsável pela administração da casa e para ele Salvador “já é uma cidade de velhos e as estatísticas da ONU ( Organização das Nações Unidas) já dizem que dentro de 20 anos seremos um País de velhos. O pior de tudo são os idosos com grau de dependência, que precisam de ajuda pra banho, pra se alimentar, pra  tudo. A maioria das instituições não querem e as famílias ficam naquela luta terrível pra ver se acha um local para colocar o idoso e somando-se a isto tem a dificuldade financeira, que é a pior.

Os jovens estão morrendo, Graças a Deus que os velhos estão tendo uma longevidade maior”, comenta. Para continuar com a missão de vida que abraçou, também solicita “todos os tipos de doações” que podem ser dada se você ligar para (71) 3022.6972. Seus 29 idosos serão eternamente gratos.

Matéria postada na Tribuna da Bahia, por Nelson Rocha

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